Por: Soraya Barbosa Castro & Ana Cristina Castro de Souza Lima

Sócias do escritório Barbosa, Diniz & Souza Lima Sociedade de Advogados

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Na vida encontramos diversas pessoas e desses encontros fazemos laços, ou não. Laços que poderão influenciar nosso presente e futuro.

 

Estávamos conversando sobre o assunto "Gentileza" quando resolvemos pesquisar e escrevermos em conjunto sobre o tema. Para testarmos nossa capacidade de ser gentil, desenvolvemos o texto em duas partes e a quatro mãos, pois explorar assunto tão vasto e extenso seria um desafio de "gentileza" ceder espaço para o outro. Espaço que gostaríamos de trilhar, afinal escrever em conjunto nada mais é que convergência, combinação, acordo.

 

Na primeira parte fizemos um paralelo da Gentileza no mundo e na vida, relatamos os diversos autores que falam com maestria sobre o assunto. Na segunda parte fizemos um paralelo do Direito com a Gentileza.

 

Começaremos enumerando pessoas que são conhecidas por suas atitudes gentis ou que já discorreram sobre o tema. A pessoa que mais aparece na busca do GOOGLE, é José Datrino, mais conhecido como Profeta Gentileza, ele foi um pregador urbano brasileiro, que se tornou conhecido por fazer inscrições e frases sobre a gentileza, em muros, viadutos e diversos locais do Rio de Janeiro. Desta forma se transformou em uma espécie de personalidade da cidade e representante da condição de gentileza. É sabido que já faleceu, mas seus dizeres e ensinamentos continuam a girar na internet e em livros que falam sobre o tema ou sobre autoajuda.

 

Temos ainda vários autores, que fazem relato sobre o tema, como a jornalista Leila Pinheiro, que no seu livro "A arte de ser leve" nos fala tão gentilmente sobre o tema.

 

Ser gentil é condição precípua para ser ponte entre duas ou mais situações, ou pessoas. Não existe diálogo sem gentileza, não se faz negócio, sem acordo gentil. Gentileza está em tudo que fazemos. Por isso aproxima-se tanto do Direito.

 

Ser gentil no Direito é o ato de mediar, conciliar, é dispender razões para convergir e que poderia gerar várias teses filosóficas paralelas sobre a influência do ato gentil, nesta área. Quando as relações enfraquecem, deixamos de ser gentis. Deixamos de ouvir o outro. Perdemos um pouco a humanidade.

 

Em uma relação deve existir confiança, mas antes disso surge a gentileza e consequentemente a empatia. Vocês já ouviram dizer que quando "um não quer, dois não brigam", isso tem a ver com gentileza, tem a ver com resiliência, empatia e o propósito de se colocar no lugar do outro. Sentimentos nobres e que estamos perdendo com a falta de contato físico entre as pessoas em decorrência da internet e redes sociais. Mas esse é assunto para o segundo texto.

 

Gentileza é paz de espírito, é ser sensível ao problema do outro de forma efetiva e principal.

 

Vejamos, quando existe uma ação, as partes devem se encontrar para a conciliação, e desta forma convergir em um acordo. Mas como é possível isso quando essas mesmas partes estão "brigando" ou "discutindo" algo que lhes é caro? Pois bem, surge a  arte da gentileza para ser possível uma resolução do problema.

 

Se as partes conseguem um diálogo já é metade do caminho. Já vimos muito casal brigando, reatar. Porém vimos muito casal "unido" separar, para depois sequer olharem de novo nos olhos, como no início do relacionamento.

 

Temos fases, concordamos, mas ser gentil não é condição, é meio. Se você ainda não entendeu o que queremos dizer é porque não teve nenhuma situação complicada em sua vida, onde decidir algo importante para você estava em jogo.

 

No direito quando o advogado tenta reunir as partes em um processo de divórcio, ele está nada mais que tentando mostrar às partes que, o modo não é o que mais importa, os bens menos ainda, mas a gentileza... esta será fator de mudanças para todos, inclusive e mais precisamente, se da união desfeita, houver filhos.

 

Em um divórcio complicado, onde nenhuma das partes cede um pouco, os genitores estão na realidade fechando os olhos para os maiores sofredores da situação: os filhos. Estes terão que carregar o "fardo" da tristeza e da falta de gentileza dos pais.

 

Reflita...seja gentil.... E como disse o Profeta Gentileza, gentileza gera gentileza!

 

Até o próximo.

 

  • Texto originalmente publicado em 28 de março de 2019, no Blog Memorarce.